Qual é a diferença entre papiro e pergaminho?

Utilizados na antiguidade para armazenar informações, eles não são a mesma coisa

Na era das redes sociais, talvez você não se dê conta de que já houve um tempo em que as comunicações estavam longe de ser instantâneas. Pior, não existiam telegramas, cartas nem pombos-correio. Um dos responsáveis por essa revolução social foi o papiro, cuja invenção é creditada aos egípcios. Ele coexistiu com os pergaminhos, que são os pais do papel. Mas o que difere o papiro do pergaminho?

Para entender, viajemos ao Egito, por volta do terceiro milênio a.C. Lá, uma planta aquática chamada Cyperus papyrus tinha um caule em que era possível escrever e desenhar. Para isso, era preciso cortá-la em várias tiras, que eram coladas umas nas outras, polidas e postas para secar. Daquilo, saía o papiro. Era comum serem usadas várias folhas sequenciadas para obras maiores, um hábito que pode ser considerado um ancestral dos livros de hoje.

Já o pergaminho é um presente dos gregos. Era feito de pele de carneiros e ovelhas, tratadas com cal e esticadas. Acredita-se que tenha surgido por volta do século 2 a.C. na cidade de Pérgamo (atualmente Bergama, na Turquia). Assim como o papiro, o pergaminho não era barato nem rápido de ser produzido. Mas tinha a vantagem de ser “mais sólido e mais flexível que o papiro e de permitir que o raspasse e o apagasse”, diz o autor Albert Labarre em sua obra História do Livro.

No século 4, por dar menos trabalho, o pergaminho superou o papiro e reinou supremo. Assim foi até 751, quando os árabes surrupiaram a ideia do papel dos chineses na China, ele já existia desde o ano 105. O papel foi, então, popularizado na Europa, e de lá para o mundo. “Ainda hoje, há barcos de papiro na Etiópia, e ele voltou ser produzido no Egito, como forma de atrair turistas”, afirma a bibliotecária Rosany Azeredo, pós-graduada em Ciência da Informação com um trabalho sobre as origens do papel.

Autor Fabrício Calado